Quanto tempo passou desde que aqui escrevi pela última vez...
Não, este não um blog morto.
Moribundo, talvez, mas porque me vou lançando por outras redes...
E como hoje estou em dia de negação, resolvi contribuir para ocupar mais um pouco de espaço neste universo virtual.
Não tenho nada de novo a dizer. O que não será mau...
Escuto neste momento a trilha sonora do filme Mishima. Hoje não me apetecem vozes ou "eletricidades".
E o dia nem está cinzento... Os jacarandás estão florindo, as andorinhas estão voando...
Ah! Sei não...
Se eu fosse Álvaro de Campos diria alguma coisa com sentido...
sexta-feira, maio 22, 2009
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
sábado, janeiro 31, 2009
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Coincidências. Existem ou não?
No início da semana, uma parceira aqui do serviço, três gabinetes abaixo no corredor, me fez um pedido.
- Olha, dá para arranjar uma música que uma menininha, filha de uma amiga minha, cantarolava todo o dia quando eu estive com ela este Natal? A música era de um filme já antigo...
- Tá, eu vou procurar.
Sem encontrar em meu arquivo pessoal, tentei a net. Claro, encontrei.
- Pronto, vou te mandar a música.
- Ah, obrigado. Eu então vou mandar para ela. Ela vai ficar muito contente.
No dia seguinte, na minha caixa do mail, recebi o reendereçamento da mensagem que a mãe da menininha tinha enviado para essa minha parceira. Por "descuido", vinha lá o nome da mãe da menininha. Olhei o nome e era igual (bem, quase. Trazia junto mais um sobrenome) ao de uma amiga minha, dos meus tempos de adolescência.
Perguntei-lhe: olha, esta aqui não é uma moça que tem um apelido tal? Se for, pode lhe perguntar se ainda se recorda de mim?
Elas fizeram suas trocas de mails e... não é que era mesmo?
Ontem, depois minha troca de mails e de números de telefone, falámos um com o outro!
Claro, tudo muito genérico porque não conseguimos atualizar trinta (oops!) anos de afastamento numa conversa telefônica, mas... foi mágico...
Assim, com uma simples música, enviada para uma menininha, consegui fazer duas viagens no tempo!!! Daqui ao passado e de novo até ao presente...
Coincidência? Ou não?
No início da semana, uma parceira aqui do serviço, três gabinetes abaixo no corredor, me fez um pedido.
- Olha, dá para arranjar uma música que uma menininha, filha de uma amiga minha, cantarolava todo o dia quando eu estive com ela este Natal? A música era de um filme já antigo...
- Tá, eu vou procurar.
Sem encontrar em meu arquivo pessoal, tentei a net. Claro, encontrei.
- Pronto, vou te mandar a música.
- Ah, obrigado. Eu então vou mandar para ela. Ela vai ficar muito contente.
No dia seguinte, na minha caixa do mail, recebi o reendereçamento da mensagem que a mãe da menininha tinha enviado para essa minha parceira. Por "descuido", vinha lá o nome da mãe da menininha. Olhei o nome e era igual (bem, quase. Trazia junto mais um sobrenome) ao de uma amiga minha, dos meus tempos de adolescência.
Perguntei-lhe: olha, esta aqui não é uma moça que tem um apelido tal? Se for, pode lhe perguntar se ainda se recorda de mim?
Elas fizeram suas trocas de mails e... não é que era mesmo?
Ontem, depois minha troca de mails e de números de telefone, falámos um com o outro!
Claro, tudo muito genérico porque não conseguimos atualizar trinta (oops!) anos de afastamento numa conversa telefônica, mas... foi mágico...
Assim, com uma simples música, enviada para uma menininha, consegui fazer duas viagens no tempo!!! Daqui ao passado e de novo até ao presente...
Coincidência? Ou não?
terça-feira, janeiro 06, 2009
Está começando o ano.
2009. Noves fora, dois. Número da dualidade. As duas faces da moeda. O bom e o mau. O belo e o feio. O masculino e o feminino. O negro e o branco.
Dito assim, aparece ser um ano forte. É ou não é. Não há meio termo.
Assim, ainda começando, vamos pensar bem: quando algo nos parecer mau, devemos olhar com cuidado, porque algo de bom pode estar escondido. Mas atenção, quando a alegria é muita, poderemos estar esquecendo algo bem importante, que poderá ajudar a diminuir a embriaguez da "felicidade".
Não sei se virá a propósito, mas diz o poeta que "É melhor ser alegre que ser triste (...) Mas pra fazer um samba com beleza/ É preciso um bocado de tristeza".
Acho que tudo isto foi desculpa para invocar a presença de Vinicius, para que nos guie neste ano com as suas palavras...
Saravá!
2009. Noves fora, dois. Número da dualidade. As duas faces da moeda. O bom e o mau. O belo e o feio. O masculino e o feminino. O negro e o branco.
Dito assim, aparece ser um ano forte. É ou não é. Não há meio termo.
Assim, ainda começando, vamos pensar bem: quando algo nos parecer mau, devemos olhar com cuidado, porque algo de bom pode estar escondido. Mas atenção, quando a alegria é muita, poderemos estar esquecendo algo bem importante, que poderá ajudar a diminuir a embriaguez da "felicidade".
Não sei se virá a propósito, mas diz o poeta que "É melhor ser alegre que ser triste (...) Mas pra fazer um samba com beleza/ É preciso um bocado de tristeza".
Acho que tudo isto foi desculpa para invocar a presença de Vinicius, para que nos guie neste ano com as suas palavras...
Saravá!
quarta-feira, dezembro 17, 2008
O ano está chegando ao final...
Olhamos para trás e vemos... vemos? O que vemos? Não há nada para ver. Os dias se foram sucedendo, um seguindo ao outro que depois foi ultrapassado pelo seguinte.
Assim, é fácil fazer um balanço do ano que quase passou.
Como diria Alberto Caeiro, "Não há nada mais simples./ Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte./Entre uma e outra todos os dias são meus"...
Olhamos para trás e vemos... vemos? O que vemos? Não há nada para ver. Os dias se foram sucedendo, um seguindo ao outro que depois foi ultrapassado pelo seguinte.
Assim, é fácil fazer um balanço do ano que quase passou.
Como diria Alberto Caeiro, "Não há nada mais simples./ Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte./Entre uma e outra todos os dias são meus"...
quinta-feira, dezembro 11, 2008
sexta-feira, outubro 10, 2008
Deolinda.
É mesmo assim.
Esta é a minha última descoberta na música portuguesa. Não é o nome de uma cantora. Este, é o nome de um grupo.
Não é fácil googlar Deolinda e ir logo ao seu encontro.
Mais facilmente se encontra Olinda...
O melhor mesmo talvez seja ir pelo youtube e buscar Deolinda.
Ou, então, pesquisar por Fon-fon-fon.
A não perder.
É mesmo assim.
Esta é a minha última descoberta na música portuguesa. Não é o nome de uma cantora. Este, é o nome de um grupo.
Não é fácil googlar Deolinda e ir logo ao seu encontro.
Mais facilmente se encontra Olinda...
O melhor mesmo talvez seja ir pelo youtube e buscar Deolinda.
Ou, então, pesquisar por Fon-fon-fon.
A não perder.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Manoel de Oliveira. Cineasta. Celebra agora o centenário de seu nascimento. Vivo. Tem sonhos e projectos para novos filmes.
Oscar Niemeyer. Arquiteto. Já celebrou o centenário de seu nascimento. Vivo. Tem sonhos e projectos para novas obras.
Ainda não cheguei a meio do caminho que eles percorreram. E me sinto muito mais velho que eles...
Oscar Niemeyer. Arquiteto. Já celebrou o centenário de seu nascimento. Vivo. Tem sonhos e projectos para novas obras.
Ainda não cheguei a meio do caminho que eles percorreram. E me sinto muito mais velho que eles...
sábado, junho 14, 2008
"TOMÁMOS A VILA DEPOIS DE UM INTENSO BOMBARDEAMENTO
A criança loura
Jaz no meio da rua.
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.
A cara está um feixe
De sangue e de nada.
Luz um pequeno peixe -
Dos que boiam nas banheiras -
À beira da estrada.
Cai sobre a estrada o escuro,
Longe, ainda uma luz doura
A criação do futuro...
E o da criança loura?"
Quem terá escrito este poema? Um soldado? Um jornalista de guerra? Um poeta, apenas?
Quando? Onde? Iraque? Afeganistão? Bósnia?
O Poeta o escreveu. Sem heterónimos. Sem máscaras. Sem sombras.
Fernando "A Máscara" Pessoa. Pessoa que é "persona". Persona que é "máscara".
Por nascer em 13 de Junho, também Antonio. Fernando António Nogueira Pessoa. Que ontem celebrou os seus 120 anos.
Possam as suas palavras permanecer, enquanto existir quem as recorde.
A criança loura
Jaz no meio da rua.
Tem as tripas de fora
E por uma corda sua
Um comboio que ignora.
A cara está um feixe
De sangue e de nada.
Luz um pequeno peixe -
Dos que boiam nas banheiras -
À beira da estrada.
Cai sobre a estrada o escuro,
Longe, ainda uma luz doura
A criação do futuro...
E o da criança loura?"
Quem terá escrito este poema? Um soldado? Um jornalista de guerra? Um poeta, apenas?
Quando? Onde? Iraque? Afeganistão? Bósnia?
O Poeta o escreveu. Sem heterónimos. Sem máscaras. Sem sombras.
Fernando "A Máscara" Pessoa. Pessoa que é "persona". Persona que é "máscara".
Por nascer em 13 de Junho, também Antonio. Fernando António Nogueira Pessoa. Que ontem celebrou os seus 120 anos.
Possam as suas palavras permanecer, enquanto existir quem as recorde.
segunda-feira, junho 09, 2008
Lentamente, os jacarandás (não é um nome bonito?) vão cobrindo os passeios com as suas flores. E o calor parece que chegou. Mas quando o sol se vai, convém ter algo mais para não sentir o frio.
Próximo dia 13 é dia de Santo Antônio. De Lisboa, claro. E também é o aniversário de Fernando Pessoa. Celebram-se os 120 anos do seu nascimento ali, no Largo de São Carlos. E desta vez ainda teremos a Feira do Livro para, em memória do dia, ir passear entre as palavras...
Próximo dia 13 é dia de Santo Antônio. De Lisboa, claro. E também é o aniversário de Fernando Pessoa. Celebram-se os 120 anos do seu nascimento ali, no Largo de São Carlos. E desta vez ainda teremos a Feira do Livro para, em memória do dia, ir passear entre as palavras...
sábado, maio 24, 2008
Ah! Isto é bom. Maio ainda não acabou e já estou a postar novamente.
Os jacarandás em Lisboa ainda iluminam a cidade cinzenta. É certo que muitas flores já estão sobre o empedrado dos passeios e sobre o alcatrão das ruas, como um tapete de flores para passar a Procissão do Senhor dos Passos, mas continuam bonitos.
Este Maio tem sido muito cinzento, muito chuvoso. Estamos com um clima tão bom como o de Bruxelas.
E continuando a falar de Bruxelas, quando lá estive senti mais calor que aquele que hoje se sente aqui.
Falava eu das minhas descobertas bruxelenses...
Pois descobri que tem lojas, que estas abrem, que as pessoas vão às compras, que existem vendedores ambulantes.
Os melhores chocolates de Bruxelas, ao que dizem, são da casa Leónidas, que tem várias lojas. Mas que encerram às 18:30. Mesmo! Um minuto mais tarde e pronto, têm de se ir comprar noutro lado.
Músicos de rua também tem.
E pubs. Com música ao vivo. E para beber cerveja, a Bélgica tem muita oferta. Com diferentes sabores e teores alcoólicos.
Eu vi, e a zona estava muito animada naquela sexta à noite, mas parece que realmente a zona mais animada é a St. Catherine.
(Ui, abri agora a janela da sala. Chove. E o vento é frio...)
Os jacarandás em Lisboa ainda iluminam a cidade cinzenta. É certo que muitas flores já estão sobre o empedrado dos passeios e sobre o alcatrão das ruas, como um tapete de flores para passar a Procissão do Senhor dos Passos, mas continuam bonitos.
Este Maio tem sido muito cinzento, muito chuvoso. Estamos com um clima tão bom como o de Bruxelas.
E continuando a falar de Bruxelas, quando lá estive senti mais calor que aquele que hoje se sente aqui.
Falava eu das minhas descobertas bruxelenses...
Pois descobri que tem lojas, que estas abrem, que as pessoas vão às compras, que existem vendedores ambulantes.
Os melhores chocolates de Bruxelas, ao que dizem, são da casa Leónidas, que tem várias lojas. Mas que encerram às 18:30. Mesmo! Um minuto mais tarde e pronto, têm de se ir comprar noutro lado.
Músicos de rua também tem.
E pubs. Com música ao vivo. E para beber cerveja, a Bélgica tem muita oferta. Com diferentes sabores e teores alcoólicos.
Eu vi, e a zona estava muito animada naquela sexta à noite, mas parece que realmente a zona mais animada é a St. Catherine.
(Ui, abri agora a janela da sala. Chove. E o vento é frio...)
sábado, maio 17, 2008
Continuando com Bruxelas.
Desta vez, fiquei ali pelo Mercado das Ervas, onde existe uma fonte com repuxo e que, encostado à dita, tem a estátua de um indivíduo, sentado, com uns grandes bigodes.
Daí, dessa praça, descobri que saía a Rue Madeleine. Estreitinha, tens umas lojinhas pequeninas especialmente dedicadas a temas mais ou menos esotéricos... Depois, virando para a direita, chegamos à Grand Place.
Continuando a descer, chegamos à Ópera e, para a direita, estamos na Brouckere, para a esquerda, na Anspach (não sei se a grafia está correta...)
Aqui bem perto, na Anspach, uma das minhas lojas de eleição: Brüsell. Essencialmente dedicada a manga e histórias em quadrinhos. Com muitos posters e postais.
Desta vez, fiquei ali pelo Mercado das Ervas, onde existe uma fonte com repuxo e que, encostado à dita, tem a estátua de um indivíduo, sentado, com uns grandes bigodes.
Daí, dessa praça, descobri que saía a Rue Madeleine. Estreitinha, tens umas lojinhas pequeninas especialmente dedicadas a temas mais ou menos esotéricos... Depois, virando para a direita, chegamos à Grand Place.
Continuando a descer, chegamos à Ópera e, para a direita, estamos na Brouckere, para a esquerda, na Anspach (não sei se a grafia está correta...)
Aqui bem perto, na Anspach, uma das minhas lojas de eleição: Brüsell. Essencialmente dedicada a manga e histórias em quadrinhos. Com muitos posters e postais.
quarta-feira, maio 14, 2008
Fiz minhas pazes com Bruxelas.
Corri o risco de ter chegado a um país e poder sair de outro diferente. Isto porque no parlamento, de maioria flamenga, estar à discussão um diploma legal onde se pretenderia impedir, na região de Bruxelas, o o voto dos francófonos em partidos francófonos. Se bem me apercebi, o PM pôs um pouco de água na fervura e deu dois meses para ser estudado o assunto, antes que aquele reino estoire.
Aquele reino inventado em era pós-napoleônica, divide-se em três partes: norte (Flandres), de maioria flamenga, onde se fala o neerlandês; sul (Valónia), de maioria francesa, onde se fala o francês, e a região de Bruxelas, onde se falam as duas línguas.
Para os franceses, os belgas são personagens de anedota. Como exemplo, num submarino, sabe-se qual é o belga porque é o único que leva pára-quedas.
Mas não é disto que quero falar.
Como nas minhas primeiras idas a Bruxelas eu chegava à cidade sempre depois do comércio ter encerrado e depois saía direto para o avião, limitava-me a ver montras iluminadas e ruas vazias, com um ou outro pedinte e vários sem-abrigo. Como sítio animado, via poucos indícios.
(continuará)
Corri o risco de ter chegado a um país e poder sair de outro diferente. Isto porque no parlamento, de maioria flamenga, estar à discussão um diploma legal onde se pretenderia impedir, na região de Bruxelas, o o voto dos francófonos em partidos francófonos. Se bem me apercebi, o PM pôs um pouco de água na fervura e deu dois meses para ser estudado o assunto, antes que aquele reino estoire.
Aquele reino inventado em era pós-napoleônica, divide-se em três partes: norte (Flandres), de maioria flamenga, onde se fala o neerlandês; sul (Valónia), de maioria francesa, onde se fala o francês, e a região de Bruxelas, onde se falam as duas línguas.
Para os franceses, os belgas são personagens de anedota. Como exemplo, num submarino, sabe-se qual é o belga porque é o único que leva pára-quedas.
Mas não é disto que quero falar.
Como nas minhas primeiras idas a Bruxelas eu chegava à cidade sempre depois do comércio ter encerrado e depois saía direto para o avião, limitava-me a ver montras iluminadas e ruas vazias, com um ou outro pedinte e vários sem-abrigo. Como sítio animado, via poucos indícios.
(continuará)
domingo, maio 04, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
Estou passando aqui de novo.
É o que dá ter amnésia: nem sempre lembramos as coisas boas.
E uma das coisas boas é poder escrever. Outra, é poder escrever aqui. E outra ainda saber que há amigos que lêem o que escrevemos. Sejam bobagens ou textos de alta erudição.
Vários foram os momentos em que abri o template para escrever, mas depois desligava. Não que não tivesse nada para escrever. Por exemplo, agora não tenho nada para escrever e escrevo na mesma. Mas dava mesmo um bloqueio.
Pensei em ir pondo aqui poemas (não meus, claro), apenas para ir mantendo o contato, mas nem isso.
Ah. Lembrei. Ia buscar músicas em blogs e perdia a hora.
Hoje, como estou com um probleminha com a minha unidade de memória externa, resolvi escrever.
E estou escutando Antônio Carlos Jobim enquanto escrevo.
"Chega de Saudade". Apropriado.
É o que dá ter amnésia: nem sempre lembramos as coisas boas.
E uma das coisas boas é poder escrever. Outra, é poder escrever aqui. E outra ainda saber que há amigos que lêem o que escrevemos. Sejam bobagens ou textos de alta erudição.
Vários foram os momentos em que abri o template para escrever, mas depois desligava. Não que não tivesse nada para escrever. Por exemplo, agora não tenho nada para escrever e escrevo na mesma. Mas dava mesmo um bloqueio.
Pensei em ir pondo aqui poemas (não meus, claro), apenas para ir mantendo o contato, mas nem isso.
Ah. Lembrei. Ia buscar músicas em blogs e perdia a hora.
Hoje, como estou com um probleminha com a minha unidade de memória externa, resolvi escrever.
E estou escutando Antônio Carlos Jobim enquanto escrevo.
"Chega de Saudade". Apropriado.
quinta-feira, outubro 18, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
Stranger than fiction.
Acabei agora de ver este filme: "Stranger than fiction".
Não foi planeado, tal como hoje já não pensava ligar este portátil.
Mas vi o filme e senti a necessidade de partilhar o prazer de o ter visto.
A ideia é ótima: o personagem de um romance descobre que é um personagem ao escutar a voz off da narradora enquanto escova os dentes. Isso o assusta. A sua vida banal, monótona, rotineira (se pode imaginar algo mais rotineiro e monótono que vida de funcionário das Finanças, fazendo auditorias de quem não cumpre seus deveres fiscais) começa a se alterar. Claro. Só essa mudança faz sentido para que surja o livro...
Consulta primeiro uma psiquiatra que lhe diagnostica esquizofrenia (óbvio, quem ouve vozes dentro da cabeça é esquizofrénico, não é não?), mas isso não o deixa satisfeito, pois a voz que ouve, de mulher, é de uma narradora.
Acabei de ver o filme o filme mas não me recordo em que momento é que a narradora diz que ele vai morrer e não sabe. A partir daqui, é o momento da morte que o preocupa. Quando irá morrer?
Creio que é aqui que ele decide consultar um Professor de Literatura que o tenta enquadrar, enquanto personagem, numa estória. Eliminando hipóteses, mas sem chegar a conclusão alguma, há que tentar classificar se se trata de uma tragédia ou de uma comédia.
Parece que eu estou contando todo o filme. Talvez sim.
Bem. Ele vivia sózinho. Entretanto, tem de fazer uma auditoria a uma pasteleira que se recusou a pagar 22% do imposto anual. O primeiro confronto estabelece a relação de ódio dela por ele.
Num segundo momento, voltando para consultar a documentação dos últimos três anos, parece começar a atração, quando no final do dia ela lhe cozinha biscoitos.
Ele se alegre porque parece uma comédia.
Afinal, talvez tenha sido depois deste momento que ele ouve a narradora falar da sua morte.
Continuando.
Sabendo da morte próxima, e estando a viver na casa de um colega porque, por engano, haviam tentado demolir a sua casa, pergunta-lhe o que faria se em breve fosse morrer. Colocando a questão de forma hipotética, lhe dá o poder de ser invisível.
- Se fosse invisível e soubesse que ia morrer, iria para um acampamento espacial.
- Acampamento espacial?
- Sim, sonho com isso desde os nove anos?
- Mas não passou já a idade?
- Nunca é tarde para um acampamento espacial...
Recorda então o seu sonho de tocar guitarra. E compra um Fender Stratocaster. Não uma nova, mas aquela que o "chamou"...
E uma noite vai ter com a moça dos biscoitos e lhe leva um tabuleiro com vários pacotes de farinha, cada uma diferente da outra.
- Porquê?
- Bem, porque a desejo.
- O quê?
- Desejo-a.
Seguem então até casa dela. A coisa poderia rolar ou não, mas ela está curiosa.
No final do jantar, ele descobre que ela tem um violão.
- Toca?
- Oh, muito mal, foi o pagamento em troca de um bolo de noiva. E você?
- Só uma música, que ainda estou aprendendo.
- Toca pra mim.
- Não, ainda não sei bem.
E enquanto ela lava a loiça, começa a ouvir a voz dele na sala, cantando.
E a coisa rolou.
Indo ter com o Professor, acreditando ser uma comédia, este se prepara para lhe dar uma lista de autores vivos que poderiam estar escrevendo a sua vida.
Ele então vê na televisão a autora. O Professor diz que não pode ser, porque ela não escreve há mais de dez anos e nos seus livros, tragédias, o herói morre sempre. Olhando para o livro que o Professor lhe mostra, vê a editora e corre tentando obter o contato dela. Não conseguindo, volta ao seu escritório onde consegue encontrar, num processo antigo de auditoria, o telefone dela.
Não havendo linha, nem tendo rede para o celular, corre para um orelhão.
E enquanto a autora escreve que o telefone toca, ele toca na casa dela. Ela se surpreende. E escreve de novo que o telefone toca. E no ponto final, o telefone toca. Ela parece assustada. E escreve uma terceira vez que o telefone toca. E suspende o gesto de teclar o ponto final. E quando carrega na tecla, o telefone toca de novo. E ela se levanta, corre para a sala, e atende. E ouve o seu personagem. E se assusta.
Ele vai depois ter a casa dela.
Ele vai lhe dizer que não quer morrer.
Não sei se devo continuar a revelar o resto do filme...
Certamente, há um motivo para eu ter sentido este impulso de escrever agora.
Os atores me supreenderam. Will Ferrell, o herói, e que eu sempre associei a filmes idiotas, está excelente. Praticamente, nunca sorri. Transmite quase sempre uma sensação de melancolia e tristeza (que não são sinônimos...). A moça dos biscoitos é Maggie Gyllenhaal. O Professor é Dustin Hoffman e a escritora é Emma Thompson.
Achei mágico o momento em que autora e personagem se encontram. O momento em que a autora sente o poder da vida ou da morte, o poder da palavra. O poder que cria e que destrói. E onde sente que já não apenas a sua vontade que pode decidir o final.
E gostei da relação entre o herói e a moça dos biscoitos.
Aquela música que ele toca e que faz com que a coisa role é de Wreckless Eric, "Whole Wide World".
Depois deste momento de partilha, já posso ir dormir...
Acabei agora de ver este filme: "Stranger than fiction".
Não foi planeado, tal como hoje já não pensava ligar este portátil.
Mas vi o filme e senti a necessidade de partilhar o prazer de o ter visto.
A ideia é ótima: o personagem de um romance descobre que é um personagem ao escutar a voz off da narradora enquanto escova os dentes. Isso o assusta. A sua vida banal, monótona, rotineira (se pode imaginar algo mais rotineiro e monótono que vida de funcionário das Finanças, fazendo auditorias de quem não cumpre seus deveres fiscais) começa a se alterar. Claro. Só essa mudança faz sentido para que surja o livro...
Consulta primeiro uma psiquiatra que lhe diagnostica esquizofrenia (óbvio, quem ouve vozes dentro da cabeça é esquizofrénico, não é não?), mas isso não o deixa satisfeito, pois a voz que ouve, de mulher, é de uma narradora.
Acabei de ver o filme o filme mas não me recordo em que momento é que a narradora diz que ele vai morrer e não sabe. A partir daqui, é o momento da morte que o preocupa. Quando irá morrer?
Creio que é aqui que ele decide consultar um Professor de Literatura que o tenta enquadrar, enquanto personagem, numa estória. Eliminando hipóteses, mas sem chegar a conclusão alguma, há que tentar classificar se se trata de uma tragédia ou de uma comédia.
Parece que eu estou contando todo o filme. Talvez sim.
Bem. Ele vivia sózinho. Entretanto, tem de fazer uma auditoria a uma pasteleira que se recusou a pagar 22% do imposto anual. O primeiro confronto estabelece a relação de ódio dela por ele.
Num segundo momento, voltando para consultar a documentação dos últimos três anos, parece começar a atração, quando no final do dia ela lhe cozinha biscoitos.
Ele se alegre porque parece uma comédia.
Afinal, talvez tenha sido depois deste momento que ele ouve a narradora falar da sua morte.
Continuando.
Sabendo da morte próxima, e estando a viver na casa de um colega porque, por engano, haviam tentado demolir a sua casa, pergunta-lhe o que faria se em breve fosse morrer. Colocando a questão de forma hipotética, lhe dá o poder de ser invisível.
- Se fosse invisível e soubesse que ia morrer, iria para um acampamento espacial.
- Acampamento espacial?
- Sim, sonho com isso desde os nove anos?
- Mas não passou já a idade?
- Nunca é tarde para um acampamento espacial...
Recorda então o seu sonho de tocar guitarra. E compra um Fender Stratocaster. Não uma nova, mas aquela que o "chamou"...
E uma noite vai ter com a moça dos biscoitos e lhe leva um tabuleiro com vários pacotes de farinha, cada uma diferente da outra.
- Porquê?
- Bem, porque a desejo.
- O quê?
- Desejo-a.
Seguem então até casa dela. A coisa poderia rolar ou não, mas ela está curiosa.
No final do jantar, ele descobre que ela tem um violão.
- Toca?
- Oh, muito mal, foi o pagamento em troca de um bolo de noiva. E você?
- Só uma música, que ainda estou aprendendo.
- Toca pra mim.
- Não, ainda não sei bem.
E enquanto ela lava a loiça, começa a ouvir a voz dele na sala, cantando.
E a coisa rolou.
Indo ter com o Professor, acreditando ser uma comédia, este se prepara para lhe dar uma lista de autores vivos que poderiam estar escrevendo a sua vida.
Ele então vê na televisão a autora. O Professor diz que não pode ser, porque ela não escreve há mais de dez anos e nos seus livros, tragédias, o herói morre sempre. Olhando para o livro que o Professor lhe mostra, vê a editora e corre tentando obter o contato dela. Não conseguindo, volta ao seu escritório onde consegue encontrar, num processo antigo de auditoria, o telefone dela.
Não havendo linha, nem tendo rede para o celular, corre para um orelhão.
E enquanto a autora escreve que o telefone toca, ele toca na casa dela. Ela se surpreende. E escreve de novo que o telefone toca. E no ponto final, o telefone toca. Ela parece assustada. E escreve uma terceira vez que o telefone toca. E suspende o gesto de teclar o ponto final. E quando carrega na tecla, o telefone toca de novo. E ela se levanta, corre para a sala, e atende. E ouve o seu personagem. E se assusta.
Ele vai depois ter a casa dela.
Ele vai lhe dizer que não quer morrer.
Não sei se devo continuar a revelar o resto do filme...
Certamente, há um motivo para eu ter sentido este impulso de escrever agora.
Os atores me supreenderam. Will Ferrell, o herói, e que eu sempre associei a filmes idiotas, está excelente. Praticamente, nunca sorri. Transmite quase sempre uma sensação de melancolia e tristeza (que não são sinônimos...). A moça dos biscoitos é Maggie Gyllenhaal. O Professor é Dustin Hoffman e a escritora é Emma Thompson.
Achei mágico o momento em que autora e personagem se encontram. O momento em que a autora sente o poder da vida ou da morte, o poder da palavra. O poder que cria e que destrói. E onde sente que já não apenas a sua vontade que pode decidir o final.
E gostei da relação entre o herói e a moça dos biscoitos.
Aquela música que ele toca e que faz com que a coisa role é de Wreckless Eric, "Whole Wide World".
Depois deste momento de partilha, já posso ir dormir...
quarta-feira, outubro 10, 2007
Deixei de frescura e confesso: estou ouvindo Roberto Carlos...
Afinal, cresci ouvindo suas músicas tocando no radinho de pilhas.
Mas é um Roberto Carlos muito ié-ié, com um magnífico som de órgão e guitarras quase dementes...
O som dos anos 60.
Ouvindo essas músicas, parece que era tudo mais fácil então. Era tudo tão linear... Mas será mesmo? Ou vamos ficando mais cínicos com a idade, que não deixa de se acumular em nossos ossos e tecido adiposo?
Afinal, cresci ouvindo suas músicas tocando no radinho de pilhas.
Mas é um Roberto Carlos muito ié-ié, com um magnífico som de órgão e guitarras quase dementes...
O som dos anos 60.
Ouvindo essas músicas, parece que era tudo mais fácil então. Era tudo tão linear... Mas será mesmo? Ou vamos ficando mais cínicos com a idade, que não deixa de se acumular em nossos ossos e tecido adiposo?
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