sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Canção para a amiga dormindo

Dorme, amiga, dorme
Teu sono de rosa
Uma paz imensa
Desceu nesta hora.
Cerra bem as pétalas
Do teu corpo imóvel
E pede ao silêncio
Que não vá embora.

Dorme, amiga, o sono
Teu de menininha
Minha vida é a tua
Tua morte é a minha.
Dorme e me procura
Na ausente paisagem...
Nela a minha imagem
Restará mais pura.

Dorme, minha amada
Teu sono de estrela
Nossa morte, nada
Poderá detê-la.

Ontem, finalmente, vi o filme (ou documentário) de Miguel Faria Jr. "Vinicius". Foi a primeira vez e não será a última.
Vinicius está vivo. Na música. Nas palavras de seus textos e poemas. Nas palavras daqueles que com ele conviveram.
Ali temos o riso e o pranto. E mesmo que as lágrimas não escorram dos olhos, por vezes fica um nó apertado na garganta.
Mas uma vida não se pode reduzir ao tempo do cinema. Se entendi bem (e basta ir lendo seus poemas para o descobrir), Vinicius teve várias vidas.
Quase no final, Maria Bethânia diz que Vinicius desceu neste mundo para espalhar amor. E sua missão não acabou...
Oh! Quantas palavras vamos pegar às suas. Quantos sentimentos, sensações, que não sabemos verbalizar, vamos traduzir com seus poemas, suas canções?

A benção, Poeta...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Estas coisas me assustam.
Parece ser mais seguro passar o Carnaval em Bagdad que no Rio.
De acordo com o site riobodycount.com.br, desde 1 de Fevereiro já morreram 142 pessoas e ficaram feridas 75.
E os números continuam subindo!
Afinal, onde é a Guerra?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Nesta minha ausência, reparo que perdi todos os meus comentários.
É pena. Já não tenho como alimentar meu ego...
Amnésia?
Pois é... esqueci que tinha um blog.
Aviso a quem me lia: ainda estou vivo. Esse fato poderá não augurar nada de bom, mas ainda respiro. E vou teclando...
E além disso, que mais? Pouco...

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A primeira noite na Alemanha foi passada em Munique, capital da Baviera, pátria de Luís II, também chamado de Rei-Louco... mas não pelos bávaros.
Como não tínhamos almoçado (no avião havíamos tomado um café da manhã reforçado), por volta das cinco da tarde já tínhamos algum apetite. Depois de colocar as malas no hotel (oh, quantas voltas nós demos até encontrar aquele bendito hotel... e afinal, estava tão perto da estação de trem...), perguntámos na Receçpão onde se poderia tomar um bom jantar. "Bem perto da Marianplatz têm uma cervejeria: HB. É tipicamente bávaro e tem boa comida."
E aí fomos nós. Estava nevando quando saímos. Floquinhos esparsos, mas deu para sentir no rosto (ui, e no pescoço, escorregando pelas costas... aarrrgh!). Felizmente, tinha um gorro que me protegia a cabeça e as pontas das orelhas. As mitenes, apesar de protegerem as mãos, me deixavam as pontas dos dedos geladas. Mas era o único jeito de poder continuar fumando. Oh, com o frio, até a chama do isqueiro parecia encolhida...
Ainda deveriam ser seis da tarde, mas a noite já estava escura e fria. Temperatura? Já não me recordo, mas devia estar ali pelos dez negativos. Finalmente, descobrimos a HB (Hofbrauhaus).

Hofbrauhaus. Primeira impressão: luz e calor. Tetos altos e uma sala imensa.
Ao entrar, meus óculos ficaram logo embaçados. Começou então a fase de retirar as cascas: tira gorro, tira mitenes, despe casaco... e íamos andando pelo interior, tentando descobrir como funcionava: se tínhamos que aguardar que alguém nos indicasse onde sentar ou se poderíamos nos sentar no primeiro lugar disponível. Finalmente, entendemos que o jeito mesmo era sentar onde houvesse um espacinho livre.
Percorrido o espaço, vimos que a sala imensa se ia desdobrando noutras salas e, no corredor de ligação entra as duas salas maiores, um pequeno palco, ainda vazio, mas onde já se viam as estantes com as pautas e os metais pousados.
Voltando à primeira sala, descobrimos dois lugares vazios numa mesa já ocupada. As mesas permitem acomodar dez pessoas. Com algum esforço, ainda cabem mais duas ou quatro, pois naqueles bancos corridos há sempre lugar para mais um. Assim, dos quatro que lá estavam sentados, ainda sobrava um espacinho que permitiu pousar as nossas protecções contra o frio.
Com um sorriso e uma pequena vénia aos restantes ocupantes, nos sentámos. Pouco tempo passou até um empregado se dirigir a nós, para nos entregar as listas. Ao perceber que não falávamos alemão, de imediato substituiu as listas em alemão por outras em inglês. Entretanto, para nos dessedentarmos, pedimos duas "weissbiers". Elas chegaram, os pedidos foram feitos e, quando pousaram nossos pratos na mesa, tivémos logo que pedir reforço da dose...
Fomos comendo e, entretanto, a banda começou a tocar. Claro, música da Baviera. Periodicamente, repetiam uma música que se destinava, certamente, a enturmar os diversos comensais: "Ein prosit, ein prosit,..." e continuavam. E nós erguíamos nossos copos e trocávamos um brinde com quem estivesse mais próximo.
Nosso vizinhos de mesa saíram, outros chegaram. Continuámos comendo. E chegaram mais dois parceiros para ocupar um espacinho livre que ainda restava. Entretanto, terminámos nossa refeição, tendo chegado à fase do relaxe frente a um copo cheio e um cigarro na mão.
Os parceiros recém-chegados, um casal, se sentaram frente a frente: ela, do meu lado, e ele ao lado do meu camarada. Ele, de cabelo comprido, tinha aspecto de porteiro de discoteca, com ar de quem malhava diariamente. Ela, não tinha nenhum pormenor de realce. Foi ela quem quebrou o gelo. De onde vêm? Como se chamam? essas coisas. E lá fomos dizendo: Portugal, o país com as fronteiras mais antigas da Europa, e os nossos nomes, sem inflexão britânica porque ela queria ouvir mesmo o nome sem sotaque. Entretanto, para eles chegou uma daquelas canecas de litro...
E continuando a conversa, chegámos ao futebol. Aí, eu me calei. De futebol, eu não percebo muito e ela falava com mais conhecimentos que eu. Deixei essa fase da conversa para o meu camarada. Foram falando e ele então reparou que ela tinha a mão direita entrapada.
- Que aconteceu? Violência doméstica?
- Oh, não! Bem, mais ou menos... Na passagem de ano, houve uma mulher que não largava o Hans (é o nome do cara). Toda a noite dançando com ele. E a certa altura eu fiquei farta e fui tirar umas explicações com ela... Não me agradaram os termos da conversa e, quando ia dar um tapa nela, bati com a mão na parede...
Muita risada e a conversa foi continuando. O Hans continuava na dele e ela conseguia beber mais rápido. Veio mais um canecão daqueles...
Passamos depois para a fase de "desporto de botequim": vamos virar bases de copo! Para quem não conhece, eu passo a explicar: se aproxima a base do bordo da mesa e, com uma pancada da mão que faça saltar a base, conseguir agarrá-la antes que ela caia sobre a mesa de novo. Vamos começando com uma, aumentando depois o grau de dificuldade: duas, três, quatro... eu acho que cheguei às nove. Passamos depois para a utilização das duas mãos, em simultâneo. Aí, as bases começam a se espalhar pela mesa. E os copos também correm o risco de ser tombados com um gesto mais largo... Se conseguem os melhores efeitos já com várias cervejas bebidas.
E a música continua tocando. "Ein prosit, ein prosit..." e vem mais um brinde...
E a conversa começa a entrar em territórios mais íntimos (mas sem chegar a muita intimidade...).
Ela olha para a minha mão e me pergunta se sou casado. Respondo que sou viúvo. Ela fica meio constrangida mas continua...
- Quando foi? - fui-lhe explicando o quando e o como...
- E tens filhos?
- Tenho uma filha.
- Eu também tenho um filho. Sou divorciada e agora estou com ele - e apontou para o Hans - Agora, é o meu homem. E tu, não arranjaste ninguém?
- Oh, é diferente quando uma pessoa se divorcia. Quando perdemos alguém desta forma, há um laço que se quebra e algo fica incompleto. Num divórcio, o fim já está estabelecido. Podemos avançar. Quando alguém morre, ficamos meio perdidos, parados, sem saber para onde ir...
- Acho que sim. A minha mãe não gosta do Hans. Preferia que eu encontrasse um homem mais inteligente. Bem, eu também preferia, mas há uma coisa muito importante: ele gosta do meu filho. E o meu filho gosta dele. E eu gosto daquele homem! - e apontava para ele, com a mão entrapada...
Entretanto, ou a música estava mais alta ou eu estava ficando mais surdo ou ela estava falando mais baixo. Ela se ia aproximando mais para falar comigo e eu tinha que me aproximar mais um pouco para entender o que ela dizia.
O Hans quase não bebia, mas ela já tinha pedido mais uma caneca. Eu e o meu camarada também já tínhamos esvazido nossos copos. Ele, à minha frente, calado, ia olhando em redor. Eu ia entendendo cada vez menos o que ela dizia. Após uma ida ao banheiro (é o problema da cerveja: nós a compramos, apenas a alugamos... vai entrando e logo, logo vai saindo...), e numa troca de olhares após o meu regresso, achámos que estaria na hora de sair.
Ainda falámos mais um pouco, falámos sobre a Oktoberfest, trocámos endereços de mail (ela me deve ter dado o mail errado, pois não tive resposta dum mail que lhe enviei depois de regressar), nos despedimos e fomos saindo.
Pô, como estava frio!
Fomos seguindo para o hotel e eu não parava de tremer... E estava bem protegido!
Como ainda era cedo, resolvemos beber mais qualquer coisa. Eu continuaria na weissbier, mas meu camarada achou que não seria muito boa idéia. Assim, fomos beber um café. Entrámos num pequeno multiplex (um desses shoppings com várias salas de cinema) e fomos ao único café ainda aberto. Se chamava "Bellissima" e, realmente, as frequentadoras faziam juz ao nome. Não sei se era da hora, mas achei todo o mundo simpático. E a garçonete era parecidíssima com a Scarlett Johansson!
Depois de aquecidos por dentro, lá seguimos para o hotel.
E assim acabou meu primeiro dia em Munique.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

"O hábito não faz o monge"
Quem disse? É mentira!
Bem, o hábito pode não fazer o monje, mas quem vê o hábito vê o monje.
Desde que mudei de local de trabalho, passei a ser obrigado a vestir terno e gravata. Anteriormente, jeans e camisa eram o meu habitual. Resultado: quem estava habituado a me ver anteriormente, agora olha, esboça um sorriso e diz: "sim senhor, agora sim, você está um verdadeiro doutor..." Mesmo numa loja, quando antes ninguém me dava a mínima, agora se aproximam e decidem perguntar se eu necessito de ajuda!
Quem diz que o hábito não faz o monje?

terça-feira, fevereiro 07, 2006

COMO SATISFAZER QUALQUER MULHER

1.. Acaricie,
2.. Massageie,
3.. Cante,
4.. Suporte,
5.. Alimente,
6.. Dê banho,
7.. Ria,
8.. Sorria,
9.. Estimule,
10.. Console,
11.. Abraçe,
12.. Excite,
13.. Pacifique,
14.. Proteja,
15.. Seduza,
16.. Ligue,
17.. Corresponda,
18.. Antecipe,
19.. Perdoe,
20.. Sacrifique-se,
21.. Assessorie,
22.. Mostre-se igual,
23.. Fascine,
24.. Respeite,
25.. Encante,
26.. Ignore,
27.. Defenda-a,
28.. Faça planos,
29.. Enfatize,
30.. Faça serenata,
31.. Agrade,
32.. Mime,
33.. Nine-a,
34.. Banhe-se,
35.. Perfume-se,
36.. Barbeie-se,
37.. Elogie,
38.. Faça uma surpresa,
39.. Acredite,
40.. Santifique-a,
41.. Ajude,
42.. Reconheça,
43.. Seja gentil e educado,
44.. Actualize-se,
45.. Aceite,
46.. Presenteie,
47.. Peça,
48.. Escute,
49.. Entenda,
50.. Leve,
51.. Acalme,
52.. Mate por ela,
53.. Morra por ela,
54.. Sonhe com ela,
55.. Prometa,
56.. Entregue-se,
57.. Comprometa-se,
58.. Eleve,
59.. Alivie,
60.. Sirva,
61.. Salve,
62.. Prove,
63.. Agradeça,
64.. Dance,
65.. Olhe nos olhos,
66.. Escove,
67.. Seque,
68.. Dobre,
69.. Lave,
70.. Passe,
71.. Guarde,
72.. Cozinhe,
73.. Idolatre,
74.. Ajoelhe-se e,
75.. Volte ao começo e faça tudo de novo.

COMO SATISFAZER QUALQUER HOMEM

1.. Tire a roupa.

E depois dizem que os homens é que são complicados!!!

Esta, recebi por mail.
Acho que a visão da satisfação do homem está muito simplista...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Neve na Alemanha e neve aqui.
Ontem, domingo, cerca das três da tarde, quando me preparava para sair para o nosso almoço de domingo na Gulbenkian, olhei pela janela e vi que estava chovendo. Com chuva, se torna pouco simpático sair para a rua só para ir almoçar.
Comecei logo a pensar num plano alternativo e voltei a olhar pela janela. Que chuva estranha! Chuva em flocos? Mas, isto não é chuva! É neve! É neve! Está nevando em Lisboa!!!
E assim foi. Durante cerca de meia hora, nevou em Lisboa. Infelizmente, para grande desgosto da minha filha, a temperatura não estava suficientemente baixa para permitir que a neve se fosse acumulando. E ela que queria tanto fazer um boneco de neve...
Os floquinhos, mal tocavam em qualquer superfície, se derretiam de seguida.
Nosso almoço teve que ser em casa mesmo. Pizza. E como eu, muita gente pensou do mesmo modo. Uma hora! Uma hora para entregarem a pizza! O almoço ficou bem tardio...
Hoje, o dia acordou com muitas estradas geladas, com o trânsito em Lisboa todo encrencado, mas com um sol magnífico.
Mais neve? Oh, sim, seria engraçado de novo. Mas desta vez, algo mais palpável. A minha filha agradece...

terça-feira, janeiro 24, 2006

Pronto. Já estou de regresso.
A viagem foi boa, e aqui estou eu, onde o frio se mete nos ossos... Já estou com saudades da neve...
Quando tiver mais um tempinho, quero falar um pouco mais do que vi e ouvi, das pessoas que conheci. Estou há tanto tempo afastado da vida social que me pareceu estranho encontrar outras pessoas, assim, no momento, e começar a falar enquanto se consumiam cigarros e copos (looongos copos) de cerveja, normalmente, weissbier...

Até breve.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Que bom, recebi dois comentários!!!

E aqui estou eu, "in der schöne Bayern..." (nao sei se se escreve assim, mas quero dizer: na bela Baviera...)
Ainda nao saí desta aldeia, porque vim em trabalho, e nao de férias :(
Amanha, já é dia de partida.
O dia hoje esteve lindo. Céu sem nuvens, temperatura baixa para manter a neve sólida e o sol, depois de passar as montanhas, sempre brilhando.
Vou ter saudades deste fresquinho (risos). Antes de entrar, confirmei o termómetro: -8 graus. É bom.
Acho que esta estada aqui me deu mais vontade de aprender alemao. Nao me parece simples, mas com algum esforco, talvez consiga falar um pouco...

Tenho aqui a prova que este blog funciona melhor fora de casa. Conclusao: tenho que sair mais vezes...

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Mais um dia passou...
Hoje, tive aquilo que deve ser o pior do inverno por estas bandas: a chuva...
Ao acordar, chovia. Resultado: a neve comeca (em teclado alemao, nao sei onde pára o c cedilhado nem como posso colocar o til...) a derreter e é tudo água...
Felizmente, depois a neve comecou a cair de novo. Mas a temperatura esteve sempre elevada: -2 graus centígrados.
Agora, a neve acalmou um pouco e nao estava frio. Nao sei qual a temperatura, mas deve ser positiva.
Eu sei que estou na ALemanha, mas comi num restaurante italiano. Nevava tamto na altura que nao perdi muito tempo em busca de restaurante. Como gosto de carne crua, comi um carpacio. Gostei. Acompanhando o meu expresso, ainda pedi uma grappa.
Terminei a noite com duas weissbier (cerveja de trigo).
E agora, antes de dormir, aqui estou, dando as novidades.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Alemanha...
-15 graus centígrados de temperatura exterior...
Mas dentro de casa se está muito bem...
Muita neve e um céu lindo!!! Aqui, se conseguem distinguir as estrelas...
Gente simpática e comida ótima (muito porco comem por aqui... schwein de toda a maneira e feitio).
Logo mais, darei mais pormenores...

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Novidade.
Escrevo este post durante o dia, e em direto!
Com tanto silêncio, tanta ausência, me preparo de novo para partir.
E desta vez tenho desculpa para deixar o blog caladinho: o serviço me obriga a ir para longe durante uma semana. E vai ser uma quebra total das rotinas: ficarei longe de minha filha e dos meus sogros, algo que já não acontecia há mais de três anos. Será que eles vão resistir? (risos)
No regresso, darei conta de minhas deambulações...

sábado, dezembro 31, 2005

Amnesia
Diário da Procrastinação. Assim poderia passar a ser o nome deste blog.
Dia após dia, vou deixando pra amanhã... Até hoje.
Porque amanhã... chega um novo ano...
Até lá.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Jorge de Sena

Hoje, enfim, ontem, se passou mais um 11 de Setembro. Enquanto escrevo, tenho a TV ligada na MTV, onde grupos musicais vão desfilando no projeto “React Now”, para apoio às vítimas do furacão Katrina. A precariedade da vida humana cada vez mais me faz pensar sobre o sentido de tudo isto. Afinal, que estamos nós fazendo aqui?
Mas hoje não quero seguir por aqui.
Ontem, resgatei de casa de meus pais um livro de Jorge de Sena: “40 anos de servidão”. Sena, poeta já falecido há quase 30 anos, viveu em exílio grande parte de sua vida.
De acordo com o prefácio de sua viúva, Mécia de Sena, a servidão do título se refere à servidão poética.
Aqui transcrevo alguns dos poemas integrando esse livro.

“DÍSTICO

O viver que grita muito não diz nada.
A morte ao dizer tudo é bem calada.

8/7/38”

“«DRUMMOND FAZENDEIRO»

Drummond, fazendeiro
do ar, mas bem sentes
que as dores da poesia
são as evidentes.

8/2/55”

“«NEL MEZZO DEL CAMIN»

          I

Quarenta e dois… Provavelmente já
vivi mais de metade a minha vida.
Provavelmente até, em mim escondida,
não como inevitável, mas guarda-

do fim com que termina tudo, está
a morte a me roubar da consentida
afirmação de que se finge a vida.
Provavelmente, não verei o que há

Além do tempo que me é dado. Não
assistirei às pompas da vitória.
Mas, se eu morrer de raiva, como cão

a que é negada a própria liberdade,
provavelmente não terei memória
de quanto a vida só me foi saudade…

          II

…de tudo, sim. Não me contento nunca.
Não me contentarei. Mesmo que eu visse
mordendo a lama a secular canalha,
dona de tudo; e mesmo que ainda visse

liberta e justa a sórdida espelunca
de bancos e palácios, catedrais,
em que a arrogância dela se esparralha
- não me contentaria. Porque há mais

que mesmo dessangrados não vomitam:
os séculos roubados e mentido,
os corpos mortos de prostituídos,
o esgar humano com que humanos fitam.
E nem morte nem vida podem mais
do que apagarem sem deixar sinais.

30/1/62”

“NO PAÍS DOS SACANAS

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos o são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para fazer funcionar fraternamente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

10/10/73”

sexta-feira, setembro 09, 2005

Emoção

Hoje foi um dia de emoção. Melhor, um fim de dia, pois o sol já se havia posto e as estrelas iam surgindo no céu: levei minha filha para comprar a mochila para seu primeiro dia de escola. De escola a sério e não de escolinha. Mochila para carregar, ou melhor, puxar (é mochila com rodinhas) os livros, cadernos, canetas...
Com as aulas começando, um destes dias será o milagre: as letras que se juntam passarão a fazer sentido e a formar palavras.
Palavras que terão significados.
Palavras que não quererão dizer nada, enquanto não ficarem ligadas a alguma coisa.
Palavras que serão ideias.
Palavras que formarão frases. Que poderão fazer ou não sentido.
Frases que formarão textos.
E, de repente, é a entrada numa nova dimensão e mais um passo para a independência: já não precisará mais da ajuda de alguém para ler as estorinhas…

quinta-feira, setembro 08, 2005

"The Life Aquatic with Steve Zissou". Filme de Wes Anderson.
Ainda não vi. Comprei hoje o DVD e lancei-me de imediato aos extras. O primeiro extra explorado, a colaboração de Seu Jorge. David Bowie (e não só) em versão acústica e cantado em português. Depois, o reencontro com Mark Mothersbaugh. Quem? Este Mark, autor da trilha sonora, era um dos quatro DEVO! As coisas que eu aprendo...
E como já é tarde, não vi nada mais.
Só vim aqui dar mais um fôlego à minha amnésia...

quarta-feira, setembro 07, 2005

Terminaram as férias. E o verão também, ao que parece.
Regressando ao trabalho, talvez o meu blog avance melhor...
Bem, aqui vai a tarefinha que Deize, lá do Rosa Choque, me deixou...

Melhores filmes dos útimos anos. Difícil... Bem, "Lost in Translation" deixou marcas. Na animação, "Spirited Away", de Hayao Miyazaki; "The Emperor's New Groove" e "The Incredibles".

O filme da vida? Apesar da minha (quase) provecta idade, creio que ainda não vivi o suficiente para eleger um filme em tal categoria. Mas o "Blade Runner" está em muito boa posição. O "Top Gun", não pelo filme em si, mas pelo ambiente em que foi visto algumas dezenas de vezes também pode entrar nesta categoria. "C'est arrivé prés de chez-vous" (nem sei bem como se escreve...) também foi visto numa altura muito especial. Também pode entrar na contagem.

Atores com pujança? Aqui, coloco Harrison Ford e Humphrey Bogart. Ah, e Bill Murray...

Atrizes de mão cheia. Hum... Por vezes, acho meio complicado avaliar a qualidade interpretativa de uma atriz, me vou dispersando por outras qualidades... Talvez Susan Sarandon e, entrando na unanimidade geral, Nicole Kidman.

Musicais: "The Sound of Music", "My Fair Lady", "Kismet", "All That Jazz".

Realizadores com r grande: Fritz Lang, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrik. E está incompleta...

quarta-feira, agosto 03, 2005

Promisses, promisses, promisses...
Para evitar que meu cantinho aqui fique moribundando, tenho que escrever. E nem sempre a vontade vem, o tema chega ou a frescura de cabeça se mantém.
Sem nada pra dizer, dizer que estou vivo já não é muito mau.
A silly season está no seu melhor, e creio que muitas das notícias que se vão publicando diariamente nos jornais estiveram alguns meses mofando em mesas de redacção (ou no cantinho do disco rígido de algum computador...).
Mas estamos em Agosto e, de manhã, o metrô continua lotado. Ninguém vai de férias? Bem, eu ainda não fui... mas, e os outros? Opção? Ou é mesmo a crise?
Minha lista de leituras é longa. E creio que vai continuar longa, entrando pelo Inverno... Neste momento, leio "El Maestro de Esgrima", de Arturo Pérez-Reverte. Algures no tempo se seguirão "The Historian", de Elizabeth Kostova, "Hypnerotomachia Poliphili - The Strive of Love in a Dream", com tradução de Joscelin Godwin, antes de ler "The Rule of Four", de Ian Caldwell e Dustin Thomason e ainda a "Collected Prose" de Paul Auster. Creio que isto me dá para chegar ao Inverno. Que digo? Primavera!
Ah, quanto ao Harry Potter e o seu Half Blood Prince, bem, crio que ainda não é para já...
Para quem não tinha nada pra dizer, já disse o suficiente...